AOA_ Mediar uma crise nessa fase — a transição da adolescência para a alta performance — exige um equilíbrio delicado entre a psicologia esportiva e a filosofia do Judô. Aos 15 anos, o jovem está lidando com a formação da identidade e o medo de falhar perante os outros.
Estar professor de Judô é também fazer entender a Raiz do Problema (O Diagnóstico)
descrevo como um clássico "Platô de Conforto". O aluno brilha com os mais fracos porque isso valida o seu ego. Treinar com os mais fortes significa aceitar a queda, o cansaço e a vulnerabilidade. No Judô e jiu-jitsu, isso é o conceito de Jita Kyoei (prosperidade mútua), mas para um adolescente, parece apenas "derrota".
Eu, sensei César Silva busco reunir com os Pais: Alinhando Expectativas
Os pais geralmente oscilam entre a frustração ("ele está desmotivado") e a proteção ("não quero que ele se machuque").
Conheço este sentimento também hoje sei que essa crise é comum e necessária para o amadurecimento.
Peço que mude a métrica de sucesso: Aos pais parem de cobrar vitórias ou rendimento técnico e comecem a elogiar a coragem de enfrentar dificuldades. Trago um conceito do "Peixe Grande no Aquário Pequeno": Se o aluno continuar sendo o melhor do grupo atual, ele parou de aprender. Para crescer, ele precisa aceitar ser o "pior" do grupo de elite por um tempo.
Em conversa com os alunos sub 13 em diante buscamos uma abordagem menos cobrada e mais desafio técnico. Normalizamos o medo quando digo: "Eu percebo que você está receoso de treinar com os mais graduados. Isso é normal, mostra que você respeita o esporte."
O "Randori" como Laboratório: Treinar com os mais fortes não é uma competição, mas um lugar para testar defesas. Se você cair 10 vezes, você aprendeu 10 formas de não cair na próxima. Treinar com os parceiros mais velhos permitirá ser controlado você precisa sentir que não será "atropelado", mas sim "desafiado". Isto é um contrato de Segurança: o que chamamos de Plano de Ação Prático (A Mediação em Quadra)
Para resolver o impasse de forma gradual, sugeridas por mim os seguintes passos:
Treinar com um "faixa preta" experiente que saiba dosar a força. Gerar confiança de que ele aguenta o tranco sem se machucar. Exposição Gradual. Um único Randori (luta) por treino com alguém mais forte, o resto com iguais.
O objetivo deste aluno(a) com os fortes não é pontuar, mas apenas "não ser derrubado por 2 minutos".
Mudar o foco do ataque para a resiliência.
Pode gerar uma "Crise" com os Pais? Comum a pressão. Digo que para "projetar alguém, às vezes precisamos ceder primeiro". Se eles pressionarem o filho agora, ele pode abandonar o esporte. O papel deles agora é serem o "tatame": a base segura para ele cair e levantar.
Aos 15 anos, o aluno já tem voz. Eu posso preparar uma dinâmica simples de "treino assistido" com um graduado de minha total confiança, enquanto comento em tempo real para os pais ou para o aluno(a) o que está acontecendo tecnicamente. Precisamos quebrar esse gelo inicial de atividades de treinos e competições deste ano que se inicia.
Com certeza inúmeras vezes participamos da dinâmica, que podemos chamar de "Randori Didático", que norteia quebrar a barreira do medo de forma prática e segura, tanto para o aluno quanto para os pais que estão assistindo. "O objetivo é transformar a luta (que ele vê como ameaça) em uma aula prática de xadrez corporal".
Essa é a transição mais crítica na vida de um jovem lutador.
Sair do Festival (onde o foco é a participação, a medalha de participação e o ambiente lúdico) para a Competição Oficial (onde há o peso do resultado, o rigor das regras e o ambiente de pressão) é o momento em que muitos talentos desistem por medo de perder o "prazer".
Para que essa transição seja um momento de prazer mútuo (entre professor, aluno e pais), a abordagem precisa ser pedagógica e emocional que eu chamo de a Mudança de Mindset: "O Festival da Evolução"
O primeiro passo é desmistificar a Federação. Para um jovem de 15 anos, a palavra "Oficial" soa como um tribunal. Compreendemos que a competição oficial não é o "fim" do processo, mas o "exame de graduação da coragem".
O que chamo de "Prazer da Maestria": No festival, o prazer vem do evento. Na competição, o prazer deve vir da superação técnica. O "prazer mútuo" nasce quando o aluno percebe que consegue aplicar em um desconhecido aquilo que treinou exaustivamente.
Destaco algumas estratégias para uma transição suave . A "Simulação de Federação" (O Degrau Intermediário).
O Sensei já faz com nossas crianças de 6 anos acima nosso "randori forte" antes de levá-lo à Federação, o que possibilita criar um ambiente de "competição séria" dentro da AOA, mas com o acolhimento do ambiente que vocês já conhecem.
Próximo passo regras estritas: vamos usar árbitros (outras faixas pretas), placar eletrônico e pesagem oficial. Com o Foco no Desempenho, não no Pódio: Minha visão de professor e sensei : "Não estou indo lá para ver se você ganha medalha, estou indo para ver se você consegue manter sua postura e sua pegada sob pressão." César Silva.
A escola de Gestão nos ensina a mensurar a Expectativa com os Pais. Os pais precisam entender que o "prazer" na competição oficial é diferente. Não é o prazer do riso, é o prazer da conquista difícil.
Eu os convido para o "Pacto do Silêncio": Peço que não gritem as instruções técnicas da arquibancada. O excesso de vozes aumenta o pânico do jovem. O papel dos pais é ser o porto seguro após a luta, independentemente do resultado.
Compartilho mais um conceito de "Vitória Técnica" Para manter o prazer mesmo em caso de derrota (o que é comum em estreias federadas), trabalhe com metas curtas:
Meta 1: Fazer a pegada (Kumi-kata) correta nos primeiros 30 segundos.
Meta 2: Não ser projetado por Ippon direto.
Meta 3: Tentar ao menos três entradas de golpe reais.
O Prazer Mútuo da AOA surge aqui: Quando o aluno perde a luta, os professores e e os pais celebram que seu filho(a) cumpriu a "Meta 1". Ele entende que o valor dele não está no placar, mas no seu desenvolvimento.
O Judô e o Jiu-Jitsu como "Jogos de Adulto". Aos 15 anos, o jovem quer ser respeitado. Trate a transição para a Federação como um rito de passagem:
Precisamos chegar com o sentimento de Elite: Competir na Federação o coloca em um grupo seleto de praticantes. É onde o Judô/Jiu-Jitsu deixa de ser uma atividade extracurricular e se torna uma arte de vida.
Reconhecimento do Esforço praticados na AOA. Após a primeira competição oficial, independentemente do resultado, no primeiro treino da semana homenageamos todos os nossos alunos com toda a turma e reforçamos o "prazer" em ter tido a coragem de lutar sob as regras oficiais.
"O Primeiro Passo" como dinâmica familiar proponho que os pais e os alunos se sintam seguros na competição oficial seja em uma categoria acima da dele (mas por peso) ou em um torneio regional da federação que seja conhecido por ser mais "familiar".
O medo de avançar e a resistência em treinar com os mais fortes — eu diria que o "ajuste fino" que ele precisa agora é mais psicológico e estratégico do que propriamente mecânico. Tecnicamente, seu filho pode estar voando com os mais novos, mas a regra da Federação exige uma defesa emocional que ele ainda está construindo.
Ele está pronto?
O termômetro para saber se ele está pronto para a Federação não é se ele "ganha" dos mais fortes, mas sim como ele reage quando é derrubado por eles.
Se ele cai e levanta rápido para tentar de novo: Está pronto.
Se ele cai e fica frustrado ou se encolhe: Ele ainda precisa de mais tempo no "laboratório" com os graduados da sua academia para normalizar a queda.
Pautamos internamente alguns assuntos como sugestão o treino de "Teste de Estresse"
Antes de inscrevê-lo, faça um último teste em ambiente controlado:
Coloco meus alunos sempre para lutar mais forte e técnico. Ditado popular: Diga ao forte: "Pressione-o, mas não o finalize de imediato. Deixe-o sentir a pressão."
Observo a expressão dos meus alunos. Se ele mantiver o foco (mesmo cansado), ele está pronto para a transição séria. O papel do "Prazer Mútuo" aqui:
O prazer virá quando ele perceber que o "monstro" (a competição oficial) não é tão grande quanto ele imaginava. A satisfação de sair do tatame de uma Federação sabendo que você "pertence" àquele lugar é um dos maiores ganhos de autoestima para um adolescente.
Texto: César Silva_sensei 2º DAN - diretor AOA