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Mais médicos: se cubanos forem embora, quando chegarão os próximos?, diz médico de Cuba que chegou ao Brasil nos anos 1990
16/11/2018 11:02 em Brasil

Redação RWS e agências
redacao@radiowebsobradinhodf.com.br

Quando o médico cubano Eduardo Rodriguez se mudou para Pedreira, no interior de São Paulo, não havia outros como ele ali. Era meados dos anos 1990 e ele trabalhava sozinho para implantar um sistema de saúde familiar na região. Foi só vinte anos depois que Rodriguez viu seus conterrâneos chegarem como integrantes do programa Mais Médicos - o município de 47 mil habitantes foi um dos primeiros a receber os profissionais de fora.

Desde então, em meio a críticas de entidades de classe e outras controvérsias, Rodriguez percebeu a diminuição das filas nos postos de saúde e ouviu elogios aos cubanos que visitavam os doentes em casa.

Agora, com Cuba anunciando que vai deixar o programa, Rodriguez diz não temer pelo futuro das três cubanas que trabalham ali. Nem por Pedreira em si. Sua preocupação está longe, nos interiores do Brasil, onde os estrangeiros são as únicas opções para a população carente.

"Essa decisão vai desmantelar o sistema de saúde. Tem lugares que só tem médicos cubanos e os prefeitos se apoiam nisso. Se as próprias prefeituras terão que pagar os salários dos médicos, como vão bancar? E a lei brasileira não permite a contratação sem concurso público. No momento que os cubanos vão embora, quando vão chegar os próximos?", diz Rodriguez, que hoje é diretor de saúde de Pedreira.

 

A decisão de Cuba de deixar o Mais Médicos, programa criado pelo governo Dilma Rousseff em 2013, foi informada nesta quarta-feira, em declaração do Ministério da Saúde Pública publicada no jornal Granma. No texto, o ministério cita "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro sobre a presença dos profissionais cubanos no país. Em agosto, em um comício, Bolsonaro afirmou que iria usar o Revalida - o exame de validação de diplomas - para "expulsar" os médicos cubanos.

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